quarta-feira, 22 de outubro de 2008
A Bem da Verdade
Em primeiro lugar, gostaria de agradecer os que me conhecem e me defenderam e acreditam no que faço. Deus os abençoe! Aos que não me conhecem e que, raivosamente me caluniaram, xingaram, ofenderam, julgaram, justamente porque não me conhecem, que Deus os abençoe também. Mas gostaria de esclarecer alguns tópicos importantes:
1. Jesus Cristo nos ensinou a não julgar para não sermos julgados, portanto, pratiquemos o que Ele nos ensina.
2. Não sejamos covardes em nos esconder atrás do anonimato ou de apelidos. Isso não é bom nem bonito. Somos pessoas de bem e não devemos temer nada, pois cremos, Deus está conosco.
3. Não interpretemos a Palavra de Deus segundo nossa própria conveniência. Quando Jesus diz Daí a César o que é de César, Ele está afirmando que César não é Deus e que só há um único e só Deus, Senhor de tudo e de todos, crentes e não crentes, judeus, muçulmanos, budistas, cristãos, ateus, enfim, tudo e todos que Ele próprio criou. Não sejamos egoístas e exclusivistas. Não aprisionemos nosso Deus.
4. Não usemos mais essa prática feia de esconder atrás de grupos e incentivar pessoas a encher caixas postais com os mesmos argumentos, repetidos tantas e tantas vezes, mesmo que não mencionados no artigo escrito. Nunca coloquei ou afirmei que era ou sou “abortista”, aliás, nem é esse o termo exato a ser usado. Sejam mais criativos.
5. Escrevi minha opinião em meu blog, que conta apenas com um link no site de nossa Paróquia. Blog é página particular, portanto expressa minha opinião, não de toda a Igreja. Não ofendi ninguém, apenas expus meu pensamento e descontentamento de algumas posições de colegas padres, que tudo podem e tudo fazem, sem que ninguém se escandalize.
6. Nunca usei ou usarei o púlpito de uma Igreja para pregar ou indicar este ou aquele candidato. Nunca dividi ou dividirei o espaço sagrado do presbitério com nenhum candidato para promovê-lo ou beneficia-lo. Mas como cidadão, tenho o direito de escolha e de livre expressão, o que vocês não concordam e de maneira grosseira, me achincalham e faltam com a caridade cristã, que tanto nos é cara.
7. Não escolhi uma candidata pelas suas posições individuais, equivocadas ou não, não me cabe julgar, mas por um projeto de governo que penso ser o melhor para o povo desta cidade sofrida onde vivo cansada de desmandos, incompetência e privilégios de uns poucos em detrimento da miséria de muitos. Acredito nesse projeto de governo, gostem ou não e vou defendê-lo sempre que puder. Não estou atrelado e não me atrelarei a nenhum partido. Sou livre.
8. Sou homem de Igreja, com muito orgulho e quando decidi pelo sacerdócio, não o fiz por profissão, mas por vocação, já que tinha uma profissão definida (sou biólogo) e, na época, estava com 26 anos. Portanto, tenho 29 anos de feliz sacerdócio e nada que me desabone, com a Graça de Deus.
9. Decidi ao ser padre, assumir o Programa de Jesus, descrito em Lc 4,16-21, com todas as suas implicações e perseguições. Quero e com a ajuda de Deus, viver as Bem Aventuranças Lc 6,20-23, para fugir das maldições Lc 6,24-26. Quero e espero também ser julgado pelo que diz Jesus em Mt 25,31-46. Portanto, aos que não me conhecem, não estou brincando de ser padre, nem buscando fazer carreira. Quero e devo servir sempre aos mais pobres.
10. Ao ser ordenado padre, prometi obediência aos meus superiores e seus sucessores. Hoje, além de nosso querido Papa Bento XVI, tenho a alegria de obedecer a D. Odilo, meu Arcebispo e D. Pedro Luiz bispo/irmão nesta nossa sofrida Região Belém, palco de tantas atrocidades com os pobres queimados e vilipendiados em plena praça pública, o que me parece, não lhes causa nenhuma indignação. Por que tanto desconforto da parte de vocês com um humilde padre?
E finalizando, peço e rogo, chega de tanto rancor, raiva, ódio, palavras injuriosas, maledicências, calunias. Isso não convém ao cristão como sempre nos lembra São Paulo. Vivamos pelo amor e para o amor (1Cor 13,1-13). Lembremo-nos que, como nos diz S. João: “O amor vem de Deus e leva para Deus, pois Deus é Amor”.
Não imitem os fariseus, saduceus e doutores da Lei, que por subserviência aos poderes constituídos, entregaram o próprio Jesus. Esforcem-se por quererem-me bem como eu os quero, pois temos um longo caminho pela frente que é o de construir e testemunhar na terra os sinais do Reino de Deus revelado em Jesus Cristo Nosso Salvador.
Convido-vos fraternalmente a conhecerem meu trabalho e nossa Paróquia. É casa de pobre, mas de gente de bem, que aprendeu a amar, respeitar e conviver com as diferenças, mesmo que estas, algumas vezes, se tornem absurdas. Não falem em nome de quem não conhecem e mais uma vez, não se escondam. Essa prática não leva a lugar algum e nos expõe ao ridículo.
Não traí, não trairei e seguirei o caminho da Doutrina Social de nossa amada Igreja, sempre fiel à opção preferencial pelos pobres reafirmada no último documento do Episcopado Latino-americano em Aparecida.
Que nosso Bom Deus nos inspire, nos guarde, nos anime e abençoe a todos, de um modo especial, a vocês que estão tão incomodados e infelizes, Vamos nos preocupar com aquilo que realmente preocupa Deus: NOSSO POVO SOFRIDO E HUMILHADO.
Paz e Bem a todos e todas!
sábado, 11 de outubro de 2008
De que lado a Igreja está?
Recebi um e-mail de um jovem de nossa Pastoral da Juventude indignado com recentes aparições de sacerdotes ligados a ala conservadora da Igreja, aparecendo ao lado de políticos profissionais, não comprometidos com o povo pobre.
Ainda durante o 1º turno, víamos constantemente Pe.Marcelo Rossi posando de papagaio de pirata para Geraldo Alkmin. Agora, no 2º turno, além de seu apoio explícito a Kassab, vimos em primeira pagina dos jornais, Pe Rosalvino, da Diocese de S.Miguel posando junto ao candidato, que promete, promete e sabemos que não cumprirá, não porque não queiramos, mas pelo seu passado sombrio na política e por suas declarações de bens incompatíveis com o que tem hoje.
A pergunta do jovem era: Por que eles podem e outros padres que apóiam a Marta ou outros candidatos mais comprometidos com a causa popular não podem?
A resposta, de minha parte é a seguinte: Não é que a hierarquia nos puna pelo apoio, mas é a reprovação do próprio povo, principalmente daqueles que pensam que são “classe média” tem em relação a tudo o que é novo e inovador. Realmente nossa candidata, e assumo o “nossa”, pelo seu passado de lutas, assusta. Ela é nova, bonita, mulher e do PT. E isso mete medo. Do que? Não sei. Pois todos podem perceber que o Brasil mudou muito depois que nosso presidente assumiu. Nossas condições hoje são outra. O respeito que temos no exterior é outro, enfim, o Brasil é outro.
O atual prefeito e candidato Kassab vem prometendo mundos e fundos. Não nos esqueçamos que sempre foi ligado a pessoas suspeitas dentro do mundo político. Diria, verdadeiros criminosos como Paulo Maluf, Celso Pitta, de quem foi seu secretário de planejamento e depois, segundo sua própria conveniência, vice prefeito na chapa de Serra, que sabíamos, não ficaria na prefeitura pois seu anseio era outro. Enfim, quem votou em Kassab para prefeito?
Agora ele posa de bom moço. Fazedor de obras, inaugurador de tantas coisas inacabadas. Não nos esqueçamos que ele sucateou os CÉUS, baixou o nível da educação, não olhou para a saúde, inaugurou o cidade limpa. Sim limpa dos pobres, dos moradores de rua. Ainda nesta semana, mais um foi queimado vivo no Tatuapé. E que está sendo feito? Apenas uma notinha no jornal.
Ele prometeu que não aumentará a passagem de ônibus no ano que vem. De fato, não aumentará, mas já prometeu a compensação financeira aos donos das empresas, ou seja, é dinheiro público investido em causa própria. Sua declaração de bens para fins eleitorais é um escândalo. Parece até que ele mora e tem propriedades na periferia. Estão bem abaixo do valor real. Enfim, é mentiroso, dissimulado, político de carreira, comprometido com empreiteiros e poderosos. Para o povo! Ora, para o povo, fica a maquiagem e o medo do PT.
Quanto ao meu compromisso, continuará sendo com a verdade, a justiça, a construção do mundo novo para os mais empobrecidos, enfim, o compromisso não daquele que fala de Deus, mas daquele ou daquela que mostra Deus.
É triste ver o pobre tendo medo e inveja do próprio pobre. Tenho ouvido muito: Voto em qualquer um, menos na Marta. Pergunto: Por que? Não sabem responder! Se me derem uma resposta convincente, eu aceito, mas nunca tem nada a declarar. Simplesmente dizem: não porque não. E isso não é justificativa. Ouço até crianças falarem o mesmo. Claro que são crianças que estudam em escolas particulares, de um modo geral, de religiosos. Não são aqueles que freqüentam a escola pública.
Portanto: Dia 26, pensem, reflitam, decidam pelo melhor para o nosso povo. Não melhor para os ricos. Chega de privilégios e venda de votos. Escolha certo. Vote MARTA (13)!
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
Governar São Paulo ou Derrotar o PT?
Desde o primeiro turno das eleições municipais, os candidatos da direita e que estão no poder ha muitos anos, seja no governo estadual, municipal, ou secretariando governantes acusados de roubo (Pitta), decidiram partir para o ataque ao Partido dos Trabalhadores. Ficou visível para quem quisesse ver e ouvir, que a proposta desses candidatos e agora, do único candidato da direita é derrotar sua oponente, por ser mulher e por ser do PT.
Vivemos na maior cidade do Brasil, cheia de verdadeiros problemas, com a saúde e educação a níveis humilhantes para os pobres. Sem segurança, mal cuidada e com políticas que cada vez mais excluem os empobrecidos e o candidato à reeleição preocupado apenas em ganhar o poder, poder este que ganhou por tabela, pois é sua primeira vez como candidato majoritário. É hora de discutirmos programas para a melhoria da cidade e não incentivar uma luta de revanchismos.
O Brasil mudou e muito, mas nossa querida São Paulo parece que quer parar no tempo, ou pior ainda, voltar aos tempos em que tudo só era feito para os ricos e poderosos.
A cidade está feia, mal cuidada, a política da Cidade Limpa serviu para “higienizar” o centro, retirar das ruas os pobres e mandá-los para bem longe. As escolas municipais estão devendo daquilo que já foram. Os CÉUS estão sucateados. Não temos mais teatros nas periferias. Aquilo que foi propagandeado como novos CÉUS nada mais são que “escolões”, com falta de material e salários defasados.
Não somos obrigados a votar na candidata do PT, mas temos que ter consciência daquilo que estamos escolhendo. Não é hora de deixarmo-nos levar mais pelos rótulos. Muitas cidades já deram seus saltos qualitativos e nós, por aqui, andamos dois passos à frente e um atrás.
Desde 1990 estamos amargando escolhas erradas. Hora avançamos e depois nos abatemos e perdemos terreno. Não podemos mais votar por simpatias. Não podemos mais pensar apenas em nós mesmos. Somos cristãos e responsáveis uns pelos outros, principalmente pelos mais pobres. Estamos demorando a perceber que se a vida deles melhorarem, a nossa também melhorará, pois somos os mesmos pobres, apenas morando em locais melhores. Mas, por ser um pouco melhor, estamos aprisionados, vítimas do medo e da violência, gerada não pela maldade, mas pela má distribuição de renda, moradia, escolas, hospitais, salários, enfim, tudo aquilo que envolve e desenvolve o ser humano.
Outro dia ainda fui obrigado a ouvir um absurdo: Alguém me disse que votaria em qualquer um menos naquela candidata que tem como vice um “comunista”! Em que tempo estamos? O que sabemos de nossa história? Será que nos esquecemos do período da ditadura? Será que nossa consciência ainda é ditada pela mídia? Ou queremos nos abrir e deixar a Palavra de Deus agir em nossas mentes.
Realmente, converter o coração é fácil. Difícil parece-me converter a mente. A cabeça é dura e demora para deixar entrar os ventos novos da liberdade.
Mas, Deus é bondoso e cheio de compaixão. Ele sabe que, desde os tempos dos profetas, seu povo demorava para aceitar o novo. Não foi diferente com Jesus, e não será agora. Mas a verdade nos libertará.Ainda chegará o dia em que veremos o novo céu e a nova terra sendo construída, senão por nós, que seja pelos nossos filhos e netos. Para que não tarde muito, construamo-na a partir de agora.
PENSE, COMPARE, REFLITA, MAS NÃO ESQUEÇA NUNCA QUE:NÓS TODOS FAZEMOS PARTE DA MESMA HISTÓRIA.
Olhemos um pouco para trás, para no presente, consolidarmos o futuro!
É claro que após esta minha opinião, dirão que estou defendendo uma candidata ou um partido. Respondo: Não apenas isso, mas estou defendendo aquilo que penso ser o melhor para o nosso povo sofrido. Volto a repetir: o Brasil mudou, e muito, e para melhor. Doa a quem doer. Veja quem tem olhos e ouça quem tem ouvidos. Podemos ter preconceitos (o que não é correto para nós cristãos), mas não podemos e não devemos deixar de constatar que estamos vivendo novos tempos, e, oxalá sejam TEMPOS DE ESPERANÇA!
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