quinta-feira, 27 de novembro de 2008
Um advento de justiça com alegria
O tempo do Advento é marcado pela dinâmica da espera e do acolhimento. A grande e inquietante notícia é que, numa noite, numa estrebaria, nasceu alguém no qual Deus se revelou de forma humana e, ao se dizer de forma humana, manifestou o quanto significamos para ele.
Neste tempo propício, devemos ficar vigilantes e alertas, de forma a poder captar a riqueza dos sinais que testemunham a transparência de Deus em nossa história. Ser capaz de acolher esse dom é trabalhar para que ele se torne vida em cada um de nós e para que sejamos capazes de partilhá-lo com os demais.
Neste novo milênio, o advento ganha um significado ainda mais denso. O nosso velho século não acabou bem: o projeto de afirmação da vida vem sendo quotidianamente negado pelo espetáculo brutal da violência, das intolerâncias, da pobreza crescente, dos conflitos, da arrogância e ganância do poder americano em conquistar o mundo todo, matando e dizimando a terra com a destruição da natureza através de seus ataques e bombas mortais e do individualismo a todo custo. As bolsas de valores, que investiram pesado no lucro com papéis em detrimento da pessoa humana. O desespero de que a crise destrua o poder dos ricos, quando na verdade, os pobres já foram destruídos há muito tempo. Quantas vidas não poderiam ser salvas com o dinheiro para o socorro dos grandes bancos? Quanta preocupação em não poder comprar os valiosos carros, iates e aviões por uma pequena parcela, enquanto muitos, no mundo inteiro morrem de fome e sede? Tudo isso constitui uma denúncia viva de que não estamos conseguindo levar com dignidade a condição de “imagem e semelhança” do nosso Criador e deixando de corresponder ao seu projeto de paz.
Em um nível mais “caseiro”, conquistamos algumas novas esperanças: Nosso Pólo Cultural, Educacional e Religioso D. Luciano Mendes de Almeida vai se tornando realidade, a OASPA, adormecida durante alguns anos é revitalizada e deve gerir nossos convênios futuros, nossa Alfabetização de Jovens e Adultos completa mais um ano, nossas pastorais se desenvolvem rompendo fronteiras, nos abrimos cada vez mais aos empobrecidos e escolhidos por Jesus, nos fortalecemos em nossa fé, apesar de algumas pequenas intrigas e covardias. Estamos fazendo a nossa parte. Enfim, visualizamos algo novo, e esse novo queremos também celebrar neste advento de Natal.
Somos, portanto, chamados a fortalecer a esperança e assumir uma nova atitude face à história: difundir um alento vital, romper a inércia e levantar o que está para morrer.
O desafio da construção de uma nova utopia, de uma cultura de vida torna-se hoje imperativo diante da “barbárie” da cultura de morte, transformada em espetáculo rotineiro. Nossa grande missão consiste em oxigenar uma humanidade que corre o risco de morrer de apatia e indiferença. Para isso é essencial uma compaixão radical”, sair de nosso próprio circuito e navegar na galáxia do outro, sempre animados por uma ternura criatural: com o nosso planeta, com os outros- em particular, com os mais pobres e excluídos- e com nós mesmos.
Para ser efetiva esta travessia, devemos igualmente nos abrir para as grandes interrogações do nosso espírito, cultivando e amando o espaço dialogal com Deus, nosso Pai.Bom Tempo de Advento para um Natal de fato.
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